
e insensatez,
gota de água
fervente.
Ponta de pimenta
fresca,
zesto de limão,
tempero
sal
açúcar...
Ácida, doce, amarga,
quente ou fria
eu sou
o que faz tua vida
não ser
insípida.
(Jacqueline Aisenman)

O amor não te faz arder em chamas. O nome disso é combustão instantânea. Amor é outra coisa.
O amor não faz brotar uma nova pessoa dentro de você. O nome disso é gravidez. Amor é outra coisa.
O amor não te deixa completamente feliz. O nome disso é Prozac. Amor é outra coisa.
O amor não te deixa saltitante. O nome disso é Pogobol. Amor é outra coisa.
O amor não te faz acreditar em falsas promessas. O nome disso é campanha eleitoral. Amor é outra coisa.
O amor não te faz esquecer de tudo. O nome disso é amnésia. Amor é outra coisa.
O amor não te faz perder a articulação das palavras de repente. O nome disso é AVC. Amor é outra coisa.
O amor não te faz sentir borboletas no estomago, o nome disso é fome. Amor é outra coisa.
O amor não te deixa completamente imóvel. O nome disso é trânsito em São Paulo. Amor é outra coisa.
O amor não te deixa molinho e manhoso. O nome disso é Rivotril. Amor é outra coisa.
O amor não te deixa temporariamente cego. O nome disso é spray de pimenta. Amor é outra coisa.
O amor não faz seu mundo girar sem parar. O nome disso é labirintite. Amor é outra coisa.
O amor não te deixa sem chão, o nome disse é cratera. Amor é outra coisa.
O amor não te deixa quente e te leva pra cama. O nome disso é dengue. Amor é outra coisa.
O amor não retribui suas declarações. O nome disso é restituição de imposto de renda. Amor é outra coisa.
O amor não leva teu café da manhã na cama e ainda dá na boquinha. O nome disso é enfermeira. Amor é outra coisa.
O amor não te faz olhar pro céu e ver tudo colorido. O nome disso é queima de fogos de artifício. Amor é outra coisa.
O amor não te faz ficar simpático e amoroso de repente. O nome disso é Natal. Amor é outra coisa.
O amor não te liberta. O nome disso é alvará de soltura. Amor é outra coisa.
O amor não te deixa à mercê da vontade alheia. O nome disso é Boa Noite Cinderela. Amor é outra coisa.
O amor não te dá a chance de mudar o que está diante de você. O nome disso é controle remoto. Amor é outra coisa.
O amor não tira suas defesas. O nome disso é HIV. Amor é outra coisa.
O amor não te pega desprevenido e te impulsiona para frente. O nome disso é topada. Amor é outra coisa.
O amor não faz o coração bater mais rápido. O nome disso é arritmia. Amor é outra coisa.
O amor não te faz ver tudo com outros olhos. O nome disso é transplante. Amor é outra coisa.
(A.D)

Sinto o vento do mar soprar em meu rosto
Fecho os olhos para senti-lo tocar minha pele.
Seria este vento invisível a mão de Deus?
Acho que sim...
Todas as grandes mudanças na minha vida
Foram precedidas por um vento vindo não sei de onde,
Como quem sopra as velas de um barco
Que precisa ir mais longe...
Seria o vento o destino?
Levando este barco para novos lugares?
Talvez eu seja o próprio vento,
Porque nem todos vêem o vento
Assim como não vêem a mim,
Mas me alcançam pelas palavras,
nesta busca infinita
De mim mesma...
Talvez o vento venha para juntar meus retalhos,
Para depois contar histórias de vida,
De vidas tantas que suavizam o cansaço, e
Que me protegem feito manta colorida,
Embalando sempre meus sonhos.

Viu?
Vento contra é pra gente voar...
Você já viu uma Pipa voar a favor do vento ?
Claro que não.
Frágil que seja, de papel de seda e taquara, nenhuma
se dá ao exercício fácil de voar, levada suavemente
pelas mãos de alguma corrente.
Nunca.
Elas metem a cara.
Vão em frente.
Têm dessa vaidade de abrir mão de brisa e preferir
a tempestade.
Como se crescer e subir fosse descobrir
em cada vento contrário uma oportunidade.
Como se viver e brilhar fosse ter a sabedoria de ver
uma lição em cada dificuldade.
No fundo, no fundo, todo mundo deveria aprender
na escola a empinar pipas, pandorgas ou raias.
Para entender, desde cedo, que Deus só lhes dá
um céu imenso porque elas têm condições de o alcançar.
Assim como nos dá sonhos, projetos e desejos,
quando possuímos os meios de os realizar.
De tempos em tempos, voltaríamos às salas de aula
das tardes claras só para vê-las, feito bandeiras,
salpicando o azul.
Assim compreenderíamos, de uma vez por todas,
que pipas são como pessoas e empresas bem sucedidas: usam a adversidade para subir às alturas.
(José Oliva)